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:: 04 de fevereiro, 2009 ::

Noturno

Noturno

Mario Quintana

O gato, que mora no mundo
para sempre perdido do

cinema silencioso,
atravessa o país do tapete, onde se

abrem flores falsamente tropicais.

No pé da escada,
por força do hábito,
a avozinha morta

começa a tricotar
mais um pulôver.

Por trás de suas barbas, no retrato da parede, o olhar do

avô indaga: - para quê?

De repente, na copa,
o refrigerador compõe ruidosamente

a garganta,
enquanto estremecem de medo os frágeis

habitantes do porta-cristais:
- Meu Deus, meu Deus, ele

agora vai fazer um discurso!