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:: 22 de março, 2008 ::

ODE À ÁGUA

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Quisera ser a Água.
não ter o prejuízo da forma,
pra poder compreender todas as formas,
cor nem cheiro,
para impregnar-me de todas as cores da Terra
e de todos os perfumes das matas e dos campos.

A Água fotografa na retina móvel
lava na alma compassiva
as grandezas e misérias da Terra.
A Água quando se turva
é num segredo de útero
para o gesto dos peixes e das algas,
quando se salga
é a grande lágrima do Mundo — o Mar
Sangue nas veias do Planeta,
a Água rios flui. Vai sem pergunta,
sem plano e sem mealheiro.
Existe, e é útil: compre o seu destino.
Sabe que a espera o Mar.

Também sabemos
que nos espera um Mar.
Mas a Água sabe mais que nós:
o de que esquivamos nosso olhar:
que toda ela é o Mar.
E sobretudo sabe
que há de ir e de voltar
até a consumação dos ciclos.
Nem se lamenta. Sabe
que não há o que lamentar.

No Mar!...
Ah música de espumas!
No Mar!...
Ah vinhos de marulhos!
Ah conchas de silêncio!
Ah solidão do todo!
No Mar!...
E o Grande Coração bombeia as águas
para as artérias do ar.

A Água quando se eleva
não sabe de orgulho, nem de mesquinha altura.
Sabe a fortuna dos ventos,
a fecundidade das trevas.
E cumpre a Lei. Rosa
de nuvens
dá-se.

Água:
Vida que ao Sol nos move
e me comove.

Anderson Braga Horta



:: 14 de março, 2008 ::


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Poesia não tem tempo
Pois o próprio tempo é a poesia
Existe...Resiste ao tempo passante
Está no coração gigante e
Na alma do poeta
Sobrevivendo nas cores
Expressada dos amores!
Espalhadas em versos
Nos poemas vão cantando
Pelos cantos deste mundo
Nas asas do vento soprando...
As dores ...Em um verso chorado
Escondendo entre as flores
Que no fundo todo poeta
Morre de amores...Alucinantes
Mas renasce igual a fênix
A cada amor encontrado
Alcançando nos escritos
As sombras de amores passados
E assim vão poetando
A poesia renascendo
A cada tempo de um tempo
Onde a poesia é eterna!
Vive aqui
Vive acolá
E sempre viva será

THAIS



:: 07 de março, 2008 ::

Poemas para todas as mulheres

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No teu branco seio eu choro.
Minhas lágrimas descem pelo teu ventre
E se embebedam do perfume do teu sexo.
Mulher, que máquina és, que só me tens desesperado
Confuso, criança para te conter!
Oh, não feches os teus braços sobre a minha tristeza não!
Homem sou belo
Macho sou forte, poeta sou altíssimo
E só a pureza me ama e ela é em mim uma cidade e tem mil e uma portas.
Ai! teus cabelos recendem à flor da murta
Melhor seria morrer ou ver-te morta
E nunca, nunca poder te tocar!
Mas, fauno, sinto o vento do mar roçar-me os braços
Anjo, sinto o calor do vento nas espumas
Passarinho, sinto o ninho nos teus pêlos...
Correi, correi, ó lágrimas saudosas
Afogai-me, tirai-me deste tempo
Levai-me para o campo das estrelas
Entregai-me depressa à lua cheia
Dai-me o poder vagaroso do soneto, dai-me a iluminação das odes, dai-me o [cântico dos cânticos
Que eu não posso mais, ai!
Que esta mulher me devora!
Que eu quero fugir, quero a minha mãezinha quero o colo de Nossa Senhora!

Vinícius de Moraes



:: 02 de março, 2008 ::

Piano

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Na sala de estar, de tempos idos
lembro teu rosto, tua mão ao piano
o som enchia o ambiente
até os lustres, as cortinas, algumas antigüidades
tomavam um brilho diferente.
Eu sentava na cadeira, repousava minha história
imaginava, quando menino, feliz na sala
a dança harmônica da minha memória.
Hoje no recluso que vivo, resta uma tela
que isso retrata de forma especial
nunca mesmo que contasse, não entenderiam
o que sai junto ao som que toda noite
ao meu silêncio, emocionado, declamo
partituras e a própria vida
que brotavam do teu piano.

Tonho França.