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:: 27 de novembro, 2007 ::

Vigília

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Penso no sono
na maciez dos pêlos
do teu peito.
Penso nos eixos
nos encaixes
nas pernas postas
dispostas uma às outras.
Nossas vidas não déspotas
mas esclarecidas
se encontram.

Penso nas coisas que nos confessam
nas palavras de amor
que se enfiam
no meio dos nossos beijos.
Penso nos endereços
que levam nossos corpos
a seus destinos.
Penso nos sinos
que tocam na nossa alma
quando o amor nosso
e seu alvoroço se cumprem
e a paz nos apalpa
e a paz nos cobre
com o sono da calma.

Elisa Lucinda



:: 22 de novembro, 2007 ::

ANOS DE ESPERANÇAS

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Conta teus anos, não pelo tempo,
Mas pelo espaço que fazes em teu coração...
Não pela amargura de uma dor,
Mas pela experiência que ela traz...
Não pelo número de troféus de tuas conquistas,
Mas pelo gosto de aventura em tuas buscas...
Não pelas vezes que chegastes,
Mas pelas vezes que tivestes coragem de partir...
Não pelos frutos que colhestes,
Mas pelo terreno que preparastes
E as sementes que lançastes...
Não pelas desilusões que tivestes,
Mas pela esperança que destes a alguém...
Não pela quantidade dos que te amam,
Mas pela medida que teu coração é capaz de amar a todos...
Não pelos anos que fazes,
Mas pelo que fazes de teus anos...
Não pelas vezes que celebrastes teu aniversário,
Mas pelas vezes que teu aniversário
Se tornou uma celebração de vida.

Desconheço a Autoria



:: 18 de novembro, 2007 ::

Há doenças piores que as doenças

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Há doenças piores que as doenças,
Há dores que não doem, nem na alma
Mas que são dolorosas mais que as outras.
Há angústias sonhadas mais reais
Que as que a vida nos traz, há sensações
Sentidas só com imaginá-las
Que são mais nossas do que a própria vida.
Há tanta cousa que, sem existir,
Existe, existe demoradamente,
E demoradamente é nossa e nós...
Por sobre o verde turvo do amplo rio
Os circunflexos brancos das gaivotas...
Por sobre a alma o adejar inútil
Do que não foi, nem pôde ser, e é tudo.

Dá-me mais vinho, porque a vida é nada.


Fernando Pessoa



:: 16 de novembro, 2007 ::

Porta Retrato

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Não é assim tão fácil
Transformar beleza em palavras.
Poderei usar mil metáforas
E ser incapaz de descrever
Com clareza e pureza
Sua linda foto
No porta retrato sobre a mesa.
Posso dizer que o seu sorriso
Tem o brilho das estrelas
Que iluminam a noite
Dos seus lindos olhos castanhos.
Suas claras madeixas
Lembram savanas africanas,
Leoas na espreita de quem ama,
Mulheres nórdicas, australianas,
Fogo que queima sem ser chama.
Suas serras intransponíveis,
Matas virgens, intocadas,
Sonho de aventureiros e poetas
Que se arriscam por ti nas madrugadas.
E é nesta pele: pôr-do-sol em Ipanema
Com a qual termino o meu poema.
Colorido com imagens incapazes
De dar vida à menina da foto.
Mulher que queria ao meu lado
Fazendo-me companhia
No mesmo porta retrato.

Rodolfo Muanis