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:: 28 de junho, 2006 ::

Insônia

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Silêncio.
Madrugada.
Rua vazia.
Uma lua branca de linho
estendida no escuro,
sobre o nada.
Num momento insone,
conversam confidentes
Presente,Passado,Futuro.
Um pensamento corta o espaço
versejando a esmo.
Escuto passos:
é o meu coração abrindo a porta
de mim mesmo

Flora Figueiredo



:: 26 de junho, 2006 ::

Tempo Certo

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De uma coisa podemos ter certeza:
de nada adianta querer apressar as coisas.
Tudo vem ao seu tempo,
dentro do prazo que lhe foi previsto.
Mas a natureza humana não é muito paciente.
Temos pressa em tudo!
Aí acontecem os atropelos do destino,
aquela situação que você mesmo provoca,
por pura ansiedade
de não aguardar o tempo certo.

Mas alguém poderia dizer:
- Mas qual é esse tempo certo?
- Bom, basta observar os sinais.
Geralmente quando
alguma coisa está para acontecer ou
chegar até sua vida,
pequenas manifestações do cotidiano,
enviarão sinais indicando o caminho certo.
Pode ser a palavra de um amigo,
um texto lido, uma observação qualquer.

Mas com certeza,
o sincronismo se encarregará de colocar
você no lugar certo, na hora certa, no momento certo,
diante da situação ou da pessoa certa!

Basta você acreditar
que nada acontece por acaso!
E talvez seja por isso
que você esteja agora lendo essas linhas...

Tente observar melhor o que está a sua volta.
Com certeza alguns desses sinais
já estão por perto,
e você nem os notou ainda.

Lembre-se que o universo,
sempre conspira a seu favor,
quando você possui um objetivo claro
e uma disponibilidade de crescimento.

Paulo Coelho



:: 24 de junho, 2006 ::

Coisa Abstrata

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Já tomou conta de mim, o receio,
Essa dor.
A antecipação...
Pisa forte, fundo nas minhas entranhas,
nos meus sentidos.
A profundidade...
Entra, cava, abre caminhos, não pede licença.
A eterna angústia...
Me sacode, derruba, suga energia, machuca,
Não pede perdão.
Depois me afaga, me embala, me anima, embriaga
A felicidade...
Antes, porém, se define, se retrata, quase me mata.
É coisa abstrata...
Paixão.

Claudia Letti



:: 21 de junho, 2006 ::

A pálida luz da manhã de inverno

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A pálida luz da manhã de inverno,
O cais e a razão
Não dão mais 'sperança, nem menos 'sperança sequer,
Ao meu coração.
O que tem que ser
Será, quer eu queira que seja ou que não.

No rumor do cais, no bulício do rio
Na rua a acordar
Não há mais sossego,
nem menos sossego sequer,
Para o meu 'sperar.
O que tem que não ser
Algures será, se o pensei;
tudo mais é sonhar

Fernando Pessoa



:: 19 de junho, 2006 ::

A dor a mais

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Foi só muito amor
Muito amor demais
Foi tanta a paixão
Que o meu coração, amor
Nem soube mais
Inventei a dor
E como ela nos doeu

Ah, que solidão buscar perdão
No corpo teu
Tanto tempo faz
Tens um outro amor, eu sei
Mas nunca terás
A dor a mais
Como eu te dei
Porque a dor a mais
Só na paixão
Com que eu te amei

Vinicius de Moraes



:: 12 de junho, 2006 ::

Confissão

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Quero um intervalo de vida,
quero o tempo da inocência.
O tempo das crianças brincando
de pique nas praças.
o tempo dos sussurros adolescentes
e os caminhos da escola nas manhãs de chuva.
Quero um limbo de vida ,
para a reconciliação.
Não com o próximo,que eu os amo,
mas com as falhas da minha existência.
Um tempo de arrumar toda a casa
tirar o pó das palavras,trocar a mobília,
regar o amor.
Ficar num tempo em que eu possa ser eu,
aceitando-me

João Domingues Maia



:: 08 de junho, 2006 ::

OS DEGRAUS

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Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...

Mario Quintana



:: 02 de junho, 2006 ::


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Tão sutilmente em tantos breves anos
foram se trocando sobre os muros
mais que desigualdades, semelhanças,
que aos poucos dois são um, sem que no entanto
deixem de ser plurais:
talvez as asas de um só anjo, inseparáveis.
Presenças, solidões que vão tecendo a vida,
o filho que se faz, uma árvore plantada,
o tempo gotejando do telhado.
Beleza perseguida a cada hora, para que não baixe
o pó de um cotidiano desencanto.

Tão fielmente adaptam-se as almas destes corpos
que uma em outra pode se trocar,
sem que alguém de fora o percebesse nunca.

Lya Luft