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:: 27 de abril, 2006 ::
Soneto

Meus caros, volta-se porque se tem saudade
Porque se foi feliz intimamente
Volta-se porque se tocou num inocente
E porque se encontrou tranquilidade
A despeito da vida que acorrente
Volta-se, volta-se para a sinceridade
Volta-se sempre, tarde ou de repente
Na alegria ou na infelicidade.
E nada como esse apelo da lembrança
Para se trasfigurar numa esperança
Essa desolação que uma alma leve
Assim é que, partindo, eu vou levando
Toda a desolação de um até-quando
Num ardente desejo de até-breve.
Vinicius de Moraes
:: 23 de abril, 2006 ::
Círculo

Na vida e na morte
esta chama,esta fonte,
esta noite invadida:
seus panos na cama
seus passos na casa
sua voz ao meu lado,
meu bem no seu mundo
varando meu peito:
me povoa,me coroa
de beijos e mágoas
me prende em sua rede,
me define,me redime
me inventa e desinventa
me habita e transfigura,
no ritmo das águas
deste rio sem fundo
que chama na fonte
da morte,na vida.
Lya Luft
:: 19 de abril, 2006 ::
Dia do Ìndio

"Um provérbio indígena questiona se somente
quando for cortada a última árvore,
pescado o último peixe,
poluído o último rio,
é que as pessoas vão perceber
que não podem comer dinheiro."
:: 18 de abril, 2006 ::
Quem namora

Namorar é a forma bonita de viver um amor.
Namora, quem lê nos olhos e sente
no coração as vontades saborosas do outro.
Namora, quem se embeleza em estado de amor.
Namora, quem fala da infância e da fazenda das férias,
quem aguarda com aflição, o telefone tocar e dá um
salto para atendê-lo antes mesmo do primeiro trim.
Namora quem namora, quem à toa chora,
quem rememora, quem comemora datas
que o outro esqueceu.
Namora quem é bom, quem gosta da vida,
de nuvem, de rio gelado e de parque de diversões.
Namora quem sonha, quem teima,
quem vive morrendo de amor
e quem morre vivendo de amar.
Artur da Távola
:: 15 de abril, 2006 ::
PÁSCOA

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida"
("Jesus Cristo")
A PÁSCOA é renascer, e com ela devemos refletir e
reavaliar os nossos Atos, o nosso Amor ao Próximo,
a Caridade e a nossa capacidade de entender e
aceitar os desígnios do "Nosso Pai".
É o momento em que devemos tentar de alguma forma
preencher os "novos" dias com muita
Paz e Harmonia.
É o novo tempo, em que nos é dada a oportunidade
de praticarmos gestos de Amor que, por omissão,
não percebemos que o seu reflexo, com certeza,
traria a Paz e o Conforto a um Irmão.
Portanto, Páscoa é tão somente o Recomeço,
onde estará em alta a certeza de um futuro
repleto de realizações,
esperando que o Amor inunde o coração dos Homens,
pondo fim as guerras e ao egoísmo,
permitindo que a Paz volte a reinar, como um dia,
o "Nosso Pai", sonhou para Nós.
"Feliz Páscoa"
:: 13 de abril, 2006 ::
Dia do Beijo

Ao dar um beijo
Faça-o com ternura
para torná-lo doce
Faça-o com fervor...
para torná-lo quente
Faça-o com alegria
para torná-lo humano
Jogue nele sua alma
para fazê-lo feliz
desconheço o autor
Boa Noite

Bem querer é:
Olhar,
Aceitar...
Não exigir.
Ouvir
Incompletamente e
Tudo
Entender.
Marise de Sousa
:: 10 de abril, 2006 ::
Inesperado

"Nenhum de nós
pode programar a vida
como linha reta,
imutável,inflexível...
A cada instante
as surpresas rebentam
e temos que ter humildade
e imaginação criadora
para ir salvando o essencial
através do inesperado
de cada instante..."
D.Helder Câmara
Recife,6/2/76
:: 08 de abril, 2006 ::
SER FELIZ

Ser feliz por inteiro
é a maior mentira
que uma ilusão pode criar.
A felicidade é um momento,
um presente vivido com intensidade,
um prazer partilhado,
uma promessa cumprida
dum amor eterno,
a aspiração duma vida
na satisfação de viver
os anseios sentidos,
os sentimentos fortes.
Felicidade também é tristeza,
libertar as lágrimas do coração,
exprimir sentimentos,
deixar as feridas sangrar
abandonadas pelo passado
cicatrizando as emoções
em novas esperanças.
Ser feliz é sermos felizes.
Uma só felicidade
tem a dor duma criança desamparada,
a angústia da solidão...
Sermos felizes
é sermos cada um por si próprio
um mesmo sentir,
uma mesma entrega.
Como uma planta
semeada no coração,
regenerada no corpo,
crescendo na emoção de amar...
Amar-te na vida,
na eternidade da vida!
Manuel Neves
:: 03 de abril, 2006 ::
Demasia

Os filhos que pari trilharam seus caminhos
(como dizem que deve ser).
Eu não me conformei:andei em seus calcanhares,
lancei-me em mil direções,fiquei perdida
nesta casa vazia.
Toda a noite espreito os velhos quartos
para ver se as memórias dormem direito,
se escovaram os dentes,fizeram as lições.
Meus filhos tiveram outros,
e eu me fragmentei ainda mais.
No espelho não vejo ninguém:
virei poeira de gente,soprada entre eles.
Tanto me entranhei em suas ivdas,
que tentam limpar-se de mim
para poderem crescer,para não serem
meus filhos.
Lya Luft
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