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:: 26 de fevereiro, 2006 ::
Amor e Òdio

Amor,te odeio
pelo que me fazes sofrer,
te odeio
porque não paro
de te querer,
te odeio porque sofro,
e,vivo,morro,
te odeio porque
em ti naufrago
quando era de ti
que tinha que vir
o meu socorro
Afonso Romano de Santana
:: 21 de fevereiro, 2006 ::
A Procura

Andei pelos caminhos da Vida.
Caminhei pelas ruas do Destino-
procurando meu signo.
Batí na porta da Fortuna,
mandou dizer que não estava.
Batí na porta da Fama,
falou que não podia atender.
Procurei a casa da Felicidade,
a vizinha da frente me informou
que ela tinha se mudado
sem deixar novo endereço.
Procurei a morada da Fortaleza.
Ela me fez entrar:deu-me veste nova,
perfumou-me os cabelos,
fez-me beber do seu vinho.
Acertei o meu caminho.
Cora Coralina
:: 19 de fevereiro, 2006 ::
Coisas Intimas

Trouxe-te flores
e não estavas.
Que se há de fazer
com ternuras?
Antonio Brasileiro
:: 16 de fevereiro, 2006 ::
Assumindo a criança que somos

Nós Podemos :
Nos primeiros passos
de cada situação cair e levantar
até aprender a ficar de pé.
Podemos manifestar nossa vontade
sem receio de sermos criticados.
Podemos rir e falar espontaneamente
sem medo de julgamentos.
Podemos chorar sem sentir vergonha.
Podemos fazer, por imitação,
o que fazem aqueles que sabem mais.
Podemos acreditar em amigos invisíveis:
os nossos anjos de guarda.
Podemos girar de braços abertos
para sentir a energia e o prazer da Vida.
Podemos falar com plantas e bichinhos
sem a preocupação de parecermos loucos.
Podemos ouvir as mais belas histórias
e delas tirar sabedoria.
Podemos nos divertir das mais simples formas.
Podemos ser nós mesmos com a liberdade de gostar
ou não gostar.
E podemos o mais importante :
Dentro da Vida Brincar!
Silvia Schmidt
:: 09 de fevereiro, 2006 ::
Lembrete
Se procurar bem,
você acaba encontrando
não a explicação(duvidosa) da vida,
mas a poesia (inexplicável) da vida
Carlos Drumond de Andrade
:: 06 de fevereiro, 2006 ::
Maturidade

Caminho entre as minhas perdas
que são insetos escuros,
e os meus ganhos
douradas borboletas.
A luz de uma paixão,o dedo da morte,
o grave pincel da solidão
desenharam meus contornos,
firmaram meu chão.
Que liberdade,não precisar pensar;
que alívio não ter de administrar
minha vida:
apenas andar e olhar,
apenas ouvir essas vozes
que vêm de longe,passam por mim
e não me dão importância.
Porque no vasto oceano,
a minha eventual desarmonia
é só uma gota
desafinada.
Mais nada.
Lya Luft
:: 01 de fevereiro, 2006 ::
Crônica do Bairro

As casas mirram com os velhos
que morrem em emio a remédios.
Mal descem os corpos à cova rasa,
das carcaças das casas crescem prédios.
Jorge Emil
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