norma-banner.jpg
:: 31 de julho, 2005 ::

Caminho

rosa-em-botao.jpg

Se num tempo
encontrares um pedaço de vida...


Faz com que nada seja em vão
e verás que o simples desabrochar duma rosa
terá a grandeza do universo.

Manuel Neves



:: 28 de julho, 2005 ::

O sonho dos ratos

gato-olhando-o-rato.jpg

Recebí por email e achei muito oportuno o texto

Era uma vez um bando de ratos que vivia no buraco do assoalho de uma casa velha. Havia ratos de todos os tipos: grandes e pequenos, pretos e brancos, velhos e jovens, fortes e fracos, da roça e da cidade. Mas ninguém ligava para as diferenças, porque todos estavam irmanados em torno de um sonho comum: um queijo enorme, amarelo, cheiroso, bem pertinho dos seus narizes.

Comer o queijo seria a suprema felicidade...

Bem pertinho é modo de dizer. Na verdade, o queijo estava imensamente longe, porque entre ele e os ratos estava um gato... O gato era malvado, tinha dentes afiados e não dormia nunca. Por vezes fingia dormir. Mas bastava que um ratinho mais corajoso se aventurasse para fora do buraco para que o gato desse um pulo e, era uma vez um ratinho...

Os ratos odiavam o gato. Quanto mais o odiavam mais irmãos se sentiam. O ódio a um inimigo comum os tornava cúmplices de um mesmo desejo: queriam que o gato morresse ou sonhavam com um cachorro...

Como nada pudessem fazer, reuniram-se para conversar. Faziam discursos, denunciavam o comportamento do gato (não se sabe bem para quem), e chegaram mesmo a escrever livros com a crítica filosófica dos gatos. Diziam que um dia chegaria em que os gatos seriam abolidos e todos seriam iguais. "Quando se estabelecer a ditadura dos ratos", diziam os camundongos, "então todos serão felizes"...

- O queijo é grande o bastante para todos, dizia um.

- Socializaremos o queijo, dizia outro.

Todos batiam palmas e cantavam as mesmas canções. Era comovente ver tanta fraternidade. Como seria bonito quando o gato morresse! Sonhavam. Nos seus sonhos comiam o queijo. E quanto mais o comiam, mais ele crescia. Porque esta é uma das propriedades dos queijos sonhados: não diminuem, crescem sempre.

E marchavam juntos, rabos entrelaçados, gritando: " o queijo, já!"...

Sem que ninguém pudesse explicar como, o fato é que, ao acordarem, numa bela manhã, o gato tinha sumido. O queijo continuava lá, mais belo do que nunca.
Bastaria dar uns poucos passos para fora do buraco.

Olharam cuidadosamente ao redor. Aquilo poderia ser um truque do gato. Mas não era. O gato havia desaparecido mesmo. Chegara o dia glorioso, e dos ratos surgiu um brado retumbante de alegria. Todos se lançaram ao queijo, irmanados numa fome comum.

E foi então que a transformação aconteceu. Bastou a primeira mordida.

Compreenderam, repentinamente, que os queijos de verdade são diferentes dos queijos sonhados. Quando comidos, em vez de crescer, diminuem.

Assim, quanto maior o número dos ratos a comer o queijo, menor o naco para cada um. Os ratos começaram a olhar uns para os outros como se fossem inimigos. Olharam, cada um para a boca dos outros, para ver quanto do queijo haviam comido. E os olhares se enfureceram.

Arreganharam os dentes. Esqueceram- se do gato. Eram seus próprios inimigos.
A briga começou. Os mais fortes expulsaram os mais fracos a dentadas. E, ato contínuo, começaram a brigar entre si. Alguns ameaçaram a chamar o gato, alegando que só assim se restabeleceria a ordem.

O projeto de socialização do queijo foi aprovado nos seguintes termos:

"Qualquer pedaço de queijo poderá ser tomado dos seus proprietários para ser dado aos ratos magros, desde que este pedaço tenha sido abandonado pelo dono".

Mas como rato algum jamais abandonou um queijo, os ratos magros foram condenados a ficar esperando..

Os ratinhos magros, de dentro do buraco escuro, não podiam compreender o que havia acontecido. O mais inexplicável era a transformação que se operara no focinho dos ratos fortes, agora donos do queijo. Tinham todo o jeito do gato, o olhar malvado, os dentes à mostra.

Os ratos magros nem mais conseguiam perceber a diferença entre o gato de antes e os ratos de agora. E compreenderam, então, que não havia diferença alguma. Pois todo rato que fica dono do queijo vira gato. Não é por acidente que os nomes são tão parecidos.

"CONSEGUEM COMPREENDER O QUE ESTÁ ACONTECENDO HOJE NO BRASIL?"

Rubens Alves



:: 26 de julho, 2005 ::

A ARTE DE SER AVÓ

avo-com-netinho.jpg

Quarenta anos, quarenta e cinco.
Você sente, obscuramente, nos seus ossos,
que o tempo passou mais depressa do que esperava.
Não lhe incomoda envelhecer, é claro.
A velhice tem suas alegrias, as sua compensações ?
todos dizem isso, embora você pessoalmente,
ainda não as tenha descoberto ? mas acredita.
Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos,
às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade.
Não de amores nem de paixão;
a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências.
A saudade é de alguma coisa que você tinha
e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade.
Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança.
O tumulto da presença infantil ao seu redor.
Meu Deus, para onde foram as suas crianças?
Naqueles adultos cheios de problemas, que hoje são seus filhos,
que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento e prestações,
você não encontra de modo algum as suas crianças perdidas.
São homens e mulheres ? não são mais aqueles que você recorda.
E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta
nenhuma das agonias da gestação ou do parto,
o doutor lhe põe nos braços um menino.
Completamente grátis ? nisso é que está a maravilha.
Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça,
da qual você morria de saudades,
símbolo ou penhor da mocidade perdida.
Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho,
é um menino que se lhe é ?devolvido?.
E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito sobre ele,
ou pelo menos o seu direito de o amar com extravagância;
ao contrário, causaria escândalo ou decepção,
se você não o acolhesse imediatamente
com todo aquele amor que há anos se acumulava,
desdenhado, no seu coração.
Sim, tenho a certeza de que a vida nos dá os netos
para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice.
São amores novos, profundos e felizes, que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis.
Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados,
pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos. Se o Doutor Fausto fosse avô, trocaria calmamente dez Margaridas por um neto... No entanto! Nem tudo são flores no caminho da avó.
Há, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe.
Não importa que ela, em si, seja sua filha.
Não deixa por isso de ser a mãe do neto.
Não importa que ela hipocritamente, ensine a criança a lhe dar beijos
e a lhe chamar de ?vovozinha? e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você.
São lisonjas, nada mais. No fundo ela é rival mesmo.
Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante nos triângulos conjugais.
A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele,dá-lhe banho, veste-o, embala-o de noite.
Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.
Já a avó não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa.
Traz presentes. Faz coisas não programadas.
Leva a passear, ?não ralha nunca?. Deixa lambuzar de pirulito.
Não tem a menor pretensão pedagógica
. É a confidente das horas de ressentimento,
o último recurso dos momentos de opressão,
a secreta aliada nas crises de rebeldia.
Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina,
tem todos os encantos de uma aventura.
Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido,
antes uma maravilhosa subversão da disciplina.
Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer croquetes,
tomar café, mexer na louça, fazer trem com as cadeiras na sala,
destruir revistas, derramar água no gato
, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser ?
e até fingir que está discando o telefone.
Riscar a parede com lápis dizendo que foi sem querer ? e ser acreditado!
Fazer má-criação aos gritos e em vez de apanhar ir para os braços do avô,
e lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna...
Sabe-se que, no reino dos céus,
o cristão defunto desfruta os mais requintados prazeres da alma.
Porém não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso.
Meu Deus, o olhar das outras avós com seus filhotes magricelas ou obesos,
a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto!
E quando você vai embalar o neto e ele, tonto de sono,
abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz ?
Vó?, seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.
E o misterioso entendimento que há entre avó e neto,
na hora em que a mãe castiga, e ele olha para você,
sabendo que, se você não ousa intervir abertamente,
pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade.
Até as coisas negativas se viram em alegrias
quando se intrometem entre avó e neto:
o bibelô de estimação que se quebrou porque o menino ?
involuntariamente! ? bateu com a bola nele.
Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações:
os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beicinho pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque ?ninguém? se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, vó?
Era um simples boneco que custou caro.
Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague.


Rachel de Queiroz



:: 24 de julho, 2005 ::


Recebi da Li Stoduco a incumbência de responder a esse questionário e que depois passarei para outros cinco blogueiros.
Li desculpe o atraso ,mas tive que puxar pela memória porque eu sou muito ruim de guardar nomes.,e é lógico que eu fui pesquisar para poder responder.Espero que tenha cumprido a missão a contento.

1-Melhores filmes dos últimos anos

Bela da Tarde
Poderoso chefão
O Pianista
Tudo sobre minha mãe
O silêncio dos inocentes

2-Filme da "vida"

E o vento levou

3-Atores com "pujança"

Marlon Brando
Jack Nicholson
Dustin Hoffman
Mel Gibson
Al Pacino
Denzel Washington
Clint Eastwood
Paul Newman

4-Atrizes de mão cheia

Audrey Hepburn
Ingrid Bergman
Meryl Streep
Emma Thompson
Catherine Deneuve
Meg Ryan

5-Musical

Amadeus
Cinderela em Paris
Cantando na chuva
Moulin Rouge

6-Realizadores com"R" grande

Hitchcock
Charles Chaplin
Almodovar
Martin Scorcese
Steve Spielberg
Walter Salles

7-Passo esta bola para outros 5 blogueiros


Quel
Deize
Lucia
Lana



:: 23 de julho, 2005 ::

Assim eu vejo a vida

assim-eu-vejo-a-vida.jpg

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.

Cora Coralina



:: 20 de julho, 2005 ::

Carta a um amigo

amigos.jpg

não quero que você
meu grande amigo
me sirva de muleta
ou de saco de pancada
não farei de tí
um psicanalista
um muro de lamentações
nem serás meu médico
ou meu advogado
não serás meu aluno
nem meu professor
serás simplesmente meu amigo
sem finalidade alguma
se fosse para teres finalidade
não serias meu amigo
serias apenas
uma conveniência

não quero apenas
que comas e bebas comigo
ou que viajemos juntos,
ou que ouça-me as piadas
porque se um dia
não puderes comer ou beber
não puderes viajar
não puderes ouvir-me
não deixarás de ser meu amigo

não quero definí-lo
porque nossa amizade
não tem explicação
é vida que foi gerada
em dois peitos que se cruzaram
nos caminhos desta vida.

não quero nunca que faças por mim
o que eu certamente faria por tí
amizade não deve ter cobrança
não tem direitos ou deveres
amizade tem amizade
e apenas isso basta!
Quando se é amigo,
tem-se um amigo
porque amigo é estrada
de duas mãos


Roberto Cursino de Moura



:: 18 de julho, 2005 ::

Entardeceu em mim

entardecer--3.jpg

Entardeceu em mim
Um sentido hesitante
Uma emoção errante
Uma saudade sem fim.

Raios de angústia e medo
A magia do viver em fuga
Revelando torpe segredo
Na alegria que do peito suga.

Confuso sentimento arraigado
Conflito entre a mulher e o amor
Deixa o coração desesperado
E no apaixonado a grande dor.

Sonhos encharcados e moídos
Ausência da paixão em chama
Nele o futuro está esquecido
Na mentira que amor reclama.

Intransponível afeto tira a paz
Na insegurança o silêncio de pedra
Em tudo aquilo que não foi capaz
De segurar a grande perda.

Destrocados os sonhos enfim
No final da tarde que morria
Já não sinto o amor em mim
E o sofrer supera a alegria.

Daniel Fiúza.



:: 14 de julho, 2005 ::

Legado

estatua-luminosa.jpg

Aos amantes é dado o dom
de cozinhar futuros
e de tombar passados

Deu-lhes a vida que os alimenta
o sonho e nada mais

Aos outros deu esperanças,
objetivos,
0 silêncio luminoso das estátuas

Aos amantes
o gesto,o movimento,
a cor às vezes
possível de encontrar.

Suzana Vargas



:: 11 de julho, 2005 ::

O Inesperado

resultado1.jpg

"Nenhum de nós
pode programar a vida
como linha reta
imutável, inflexível...
A cada instante
as surpresas rebentam
e temos que ter
humildade e imaginação criadora
para ir salvando o essencial
através do inesperado de cada instante..."

D. Helder Câmara



:: 07 de julho, 2005 ::

Lição de Um Gato Siamês

gato siames.jpg

Só agora sei
que existe a eternidade:
é a duração
finita
da minha precariedade

O tempo fora
de mim
é relativo
mas não é o tempo vivo:
esse é eterno
porque efetivo
- dura eternamente
enquanto vivo

E como não vivo
além do eu vivo
não é
tempo relativo:
dura em si mesmo
eterno (e transitivo)

Ferreira Gullar



:: 04 de julho, 2005 ::

VIVER É BOM DEMAIS

viver-e-muito-bom.jpg

Desejo que você será cada vez mais apaixonado pela vida...

E descubra que ser feliz não é ter uma vida perfeita, mas é...

Usar as lágrimas para irrigar a tolerância,
Usar as perdas para refinar a paciência,
Usar as falhas para esculpir a serenidade,
Usar a dor para lapidar o prazer,
Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.
Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não se esqueça de que sua vida é a maior empresa do mundo. Só você pode evitar que ela vá à falência.

Lembre-se sempre de que ser feliz não é ter um céu sem tempestades, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem decepções.

Ser feliz é...

Encontrar força no perdão,
Esperança nas batalhas,
Segurança no palco do medo,
Amor nos desencontros.
Não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza.
Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos.
Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato.
É reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
É uma fatalidade do destino, mas uma conquista de quem sabe viajar para dentro do seu próprio ser.
É deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a cada manhã pelo milagre da vida.
É não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
É deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós.
É ter maturidade para falar "eu errei".
É ter ousadia para dizer "me perdoe".
É ter sensibilidade para expressar "eu preciso de você".
É ter capacidade de dizer "eu te amo".

Faça da sua vida um canteiro de oportunidades.
Que nas suas primaveras você seja amante da alegria.
Que nos seus invernos você seja amigo da sabedoria.
E, quando você errar o caminho, comece tudo de novo.

Jamais desista de si mesmo.
Jamais desista das pessoas que você ama.
Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um espetáculo imperdível...


Desconheço o Autor