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:: 29 de junho, 2005 ::

Felicidade

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Se eu pudesse congelar o tempo,
escolheria este momento
,exatamente agora,
nesta pouca hora
de uma quarta-feira.
O gerânio novo
enfeitando a praeleira,
o riso da criança
brilhando lá fora.
O livro aberto
no lugar certo,
que simplesmente diz
"Eu não tenho nada,
mas rouxinóis gorgolejam
versos na calçada"
É assim que se começa a ser feliz.

Flora Figueiredo



:: 23 de junho, 2005 ::

Dizendo Adeus

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Estou sempre dando adeus:
também ao desencontro e ao
desencanto.

Estou sempre me despedindo
do ponto de partida que me lança de si,
do ponto de chegada que nunca é
aqui

Estou sempre dizendo adeus:
até a Deus,
para o reencontrar em outra esquina
de adeuses

Estarei sempre de partida,
até o momento de sermos deuses:
quando me fizeres dar adeus à solidão
e à sombra

Lya Luft



:: 21 de junho, 2005 ::

Inverno

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Migraram os pássaros
E faz, finalmente, frio.
Meu coração, inerte,
Debruça-se sobre espaços
Agora vazios.

Lígia Gomes Carneiro



:: 18 de junho, 2005 ::

Este país

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Eu sei que país é este,
sei porque dele me ufano.
Não será porque na mata
Tem um bando de tucano

Não será porque pilantras
todo dia,todo ano,
fazem a gente de gaiato
por maldade ou por engano

Não será porque sofremos
tanta perda,tanto dano
com as tramóias praticadas
por cima e embaixo do pano

Nem será,posso jurar,
por essa gangue sem tutano,
que torna a nossa vida
um pandemônio insano

Não será porque a Camara
causa ao país tanto dano
e a penúria se faz geral
de mamano a caducano.

Eu sei que país é este,
sei porque dele me ufano.
É que sou masoquista
gosto de entrar pelo cano.

Reinaldo Jardim



:: 16 de junho, 2005 ::


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:: 12 de junho, 2005 ::

A Meus Filhos

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Estou aqui ao lado,
à margem de seu caminho
vendo você passar.
Quero que vá sozinho,
mas me mantenho por perto.
Se o rumo é certo
me aprumo e aplaudo.
Se é via tortuosa,
jogo-lhe aos pés uma rosa
pra que desviando dela
você chegue a outro lugar.
Se a sombra é fria,
mando-lhe um beijo quente
e se o chão queima do sol nascente,
estendo-lhe a poesia
para que o possa atenuar.
Se não houver alimento,
peço ao vento
sementes que lhe tragam vida
e para a sede
roubo do céu a lágrima caída
da madrugada.
Mas se você não precisar de nada
ainda assim eu estarie vigiando
escondida talvez atrás de um querubim.
E quando faltar só um passo
para atingir o seu fim,
tente me achar.
Devo estar já dissolvida e transformada
abençoando sua vida e sua estrada
na forma clara e casta de um jasmim.

Flora Figueiredo



:: 10 de junho, 2005 ::

Baú de Guardados

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Pelos caminhos da vida
fechei os olhos às coisas feias,
porém as belas guardei-as
no meu baú de guardados

Por certo ninguém pressente,
vendo sempre vazios
meus braços,
o que conduzem
meus passos
neste baú de guardados

E vou resgatando
em penas,
ai! como venho pagando
em choros
os pequeninos tesouros
do meu baú de guardados

Gilka Machado



:: 07 de junho, 2005 ::

Se houver um tempo

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Se houver um tempo de retorno,
eu volto.
Subirei,empurrando a alma
com meu sangue
por labirintos e paradoxos
--- até inundar novamente o coração.

(Terei,quem sabe,o mesmo ardor
de antigamente)

Lya Luft



:: 02 de junho, 2005 ::

MÃOS

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mãos: espera, certeza, afeto
dão: descanso, companhia ,espanto
são: mágicas ,ternas ,incertas
tão: próprias, pobres, nobres
vão: prontas ,tontas, tortas
hão: de remir ,de remar ,de rumar
não são ,não dão ,não tão .

Walmir Sá