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:: 31 de dezembro, 2004 ::

O Ano Novo ainda

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O Ano Novo ainda não tem pecado:
É tão criança...
Vamos embalá-lo...
Vamos todos cantar juntos
em seu berço de mãos dadas,
A canção da eterna esperança."

Mário Quintana



:: 27 de dezembro, 2004 ::

Amigo

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Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».

«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!
«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O’Neill,
in No Reino da Dinamarca



:: 24 de dezembro, 2004 ::

Poema de Natal

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Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados,
Para chorar e fazer chorar,
Para enterrar os nossos mortos -
Por isso temos braços longos para os adeuses,
Mãos para colher o que foi dado,
Dedos para cavar a terra.

Assim será a nossa vida;
Uma tarde sempre a esquecer,
Uma estrêla a se apagar na treva,
Um caminho entre dois túmulos -
Por isso precisamos velar,
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito que dizer:
Uma canção sôbre um berço,
Um verso, talvez, de amor,
Uma prece por quem se vai -
Mas que essa hora não esqueça
E que por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre,
Para a participação da poesia,
Para ver a face da morte -
De repente, nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte apenas
Nascemos, imensamente.

Vinicius de Moraes



:: 22 de dezembro, 2004 ::

FELIZ OLHAR NOVO!!!

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O grande barato da vida
é olhar para trás
e sentir orgulho da sua história.
O grande lance
é viver cada momento
como se a receita da felicidade fosse o AQUI e o AGORA.
Claro que a vida prega peças.
É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais...
mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar
pelo menos uma vez ao dia?
Tem sentido ficar chateado durante o dia todo
por causa de uma discussão na ida pro trabalho?
Quero viver bem.
2004 foi um ano cheio.
Foi cheio de coisas boas e realizações,
mas também cheio de problemas e desilusões.
Normal.
Às vezes se espera demais das pessoas.
Normal.
A grana que não veio, o amigo que decepcionou,
o amor que acabou.
Normal.
2005 não vai ser diferente.
Muda o século, o milênio muda,
mas o homem é cheio de imperfeições,
a natureza tem sua personalidade
que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí?
Fazer o quê? Acabar com seu dia?
Com seu bom humor? Com sua esperança?
O que eu desejo para todos nós é sabedoria!
E que todos saibamos transformar tudo em uma boa experiência!
Que todos consigamos perdoar o desconhecido,
o mal educado. Ele passou na sua vida.
Não pode ser responsável por um dia ruim...
Entender o amigo que não merece nossa melhor parte.
Se ele decepcionou, passe-o para a categoria 3, a dos amigos.
Ou mude de classe, transforme-o em colega.
Além do mais, a gente, provavelmente,
também já decepcionou alguém.
O nosso desejo não se realizou?
Beleza, não tava na hora,
não deveria ser a melhor coisa pra esse momento
(me lembro sempre de um lance que eu adoro:
CUIDADO COM SEUS DESEJOS,
ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE
).
Chorar de dor, de solidão, de tristeza,
faz parte do ser humano.
Não adianta lutar contra isso.
Mas se a gente se entende
e permite olhar o outro e o mundo com generosidade,
as coisas ficam diferentes.
Desejo para todo mundo esse olhar especial.
2005 pode ser um ano especial, muito legal,
se entendermos nossas fragilidades
e egoísmos e dermos a volta nisso.
Somos fracos, mas podemos melhorar.
Somos egoístas, mas podemos entender o outro.
2005 pode ser o bicho,
o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular...
ou...
Pode ser puro orgulho!
Depende de mim, de você!
Pode ser.
E que seja!!!
Feliz olhar novo!!!
Que a virada do ano não seja somente uma data,
mas um momento para repensarmos tudo o que fizemos
e que desejamos,
afinal sonhos e desejos podem se tornar realidade
somente se fizermos jus e acreditarmos neles!"
UM ANO NOVO CHEIO DE VITÓRIAS!!!
FELIZ 2005!!!

desconheço o autor



:: 18 de dezembro, 2004 ::

O HOMEM E A MULHER

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O homem é a mais elevada das criaturas,
A mulher, o mais sublimes dos ideais.
Deus fez para o homem o trono,
Para a mulher um altar;
O trono exalta e o altar santifica.
O homem é o cérebro,
A mulher o coração;
O cérebro produz a luz,
O coração produz o amor;
A luz fecunda, o amor ressuscita.
O homem é um gênio, a mulher um anjo;
O gênio é imensurável, o anjo indefinível.
A aspiração do homem é a suprema glória,
A aspiração da mulher é a virtude extrema;
A glória promove a grandeza,
A virtude a divindade.
O homem tem a supremacia
E a mulher a preferência;
A supremacia significa a força,
A preferência representa o direito.
O homem é forte pela razão,
A mulher invencível pelas lágrimas;
A razão convence e as lágrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos,
A mulher, de todos os martírios;
O heroísmo enobrece e o martírio purifica.
O homem pensa e a mulher sonha;
Pensar é ter uma larva no cérebro,
Sonhar é ter na fronte uma auréola.
O homem é uma águia que voa,
A mulher, um rouxinol que canta;
Voar é dominar o espaço,
Cantar é conquistar a alma.
Enfim, o homem está colocado onde
Termina a terra,
A mulher, onde começa o céu.

Victor Hugo



:: 14 de dezembro, 2004 ::

Conselho

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Não chore um insucesso,
O que pode parecer um abscesso,
também pode servir de recomeço.
Agarre o desaponto pelo avesso,
apare as pontas,corte o excesso.
Mude a covardia de endereço,
ponha a escavadeira em retrocesso
até que o mundo,esse réu confesso,
lhe devolva seu mel e seu apreço.
Uma vez retomado esse processo,
devolva-me o sorriso que mereço.

Flora Figueiredo



:: 10 de dezembro, 2004 ::

Na vida tudo tem seu tempo

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Embora não se possa provar
que tudo tem seu tempo
existe um momento
que temos essa certeza.
É quando a vida nos mostra a beleza
da arte de saber esperar
sem ansiedades e sem se cansar.
Como na natureza
a vida também tem suas estações
seus invernos e seus verões
seus outonos e suas primaveras
e,quem dera,
que só existissem dias ensolarados
jamais os dias nublados
com chuvas e tempestades.
Mas é justo aí que está a vantagem.
Dormir num dia de chuva
e acordar com um dia de sol.
Na vida tudo tem,com certeza,seu tempo
e se você tiver esse sentimento
plantado em seu coração
viver vai ser muito bom
porque as derrotas despercebidas ficarão
e as glórias eternamente lhe acompanharão.

Silvana Duboc



:: 06 de dezembro, 2004 ::

A ARTE DE CALAR .

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“O silêncio é um momento vivificante de graça,
em que a criatura se cala , mas o espírito fala”
Calar sobre sua própria pessoa, é humildade.
Calar sobre os defeitos dos outros , é caridade
Calar quando a gente está sofrendo, é heroísmo
Calar diante do sofrimento alheio,. É covardia
Calar diante da injustiça, é fraqueza
Calar quando o outro está falando, é delicadeza
Calar quando o outro espera um palavra, é omissão
Calar quando não há necessidade de falar, é prudência
Calar quando Deus nos fala no coração, é silêncio
Calar, diante do mistério que não entendemos,
ainda, é sabedoria.

Desconheço o autor



:: 03 de dezembro, 2004 ::

Rosto com dois perfís

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Já não procuro a palavra exata
que me pudesse explicar:
ando pelos contornos
onde todos os significados
são sutís,são mortais.

Não busco prender o momento
belo:quero vivê-lo sempre mais
com a intensidade que exige a vida,
com o desgarramento do salto
e da fulguração.

E me corto ao meio e me solto
de mim,duplo coração:
a que vive,a que narra,
a que se debate e a que voa
-- na loucura que redime
da lucidez

Lya Luft



:: 01 de dezembro, 2004 ::

Soneto do existencial.

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Sinto que meu tempo é agora,
Meu futuro eu vivo nos instantes,
Tudo que eu queria foi embora,
Não sinto mais o que sentia antes.

Envolto no tempo, meu destino,
Vivo o hoje como último dia,
Meu espaço reduzido é pequeno,
Diminui à esperança que sentia.

Essa existência que me engana,
Só resquício de saudade infesta,
Na cordialidade débil e profana.

Escura a esperança vã que chama,
Vivendo o momento que me resta,
Numa realidade impura e leviana

Daniel Fiuza