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:: 30 de novembro, 2004 ::

Morrer de amor

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Não posso dizer ao meu amor
que comigo escolheu viver:
_pare de morrer.
Nem um nem outro pode
parar de envelhecer.
Advirto aos incautos:
-não há nada de mórbido neste assunto.
Estamos apenas
morrendo de amor
-- juntos

Affonso Romano de Sant'anna



:: 20 de novembro, 2004 ::

INEXPLICAVEL

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Tenho uma saudade inexplicável,
de rever o que ainda não vi,
de sentir o que sempre senti
sem entender.
Tenho saudade de projeção,
de sonhos,

bola de cristal,
previsões.
Outras tentativas vãs,
presença e espera,
coisa que não acaba.
Tenho um fio de cor predileta, azul
que me leva a ver o céu que não conheço,
telas que não pintei,
lençóis que não dessarumei,
sem roupas espalhadas,

crença perdida na demora.

Luta , firmeza, querer e desistência,
digladiando em mim.

Jane Lagares



:: 15 de novembro, 2004 ::

Tempestade Interior

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Sinto-me só e desesperada
como se a minha existência se resumisse
a um negro e gigantesco nó
que se aperta cada vez mais em torno
das horas e das noites
Sinto-me vaga e cansada
como se já tivesse perdido,
como se já não me conhecesse(s) ou tivesse
ficado sem memória(s).
Sinto-me exausta e sonâmbula
como quem se entrega ao tempo
sem saber se vai chegar,
como quem está a mais em todos os lugares.
Sinto-me tênue e monótona
como uma velha (in)cômoda,
que resiste,desconfiada e severa,
à lenta passagem dos anos.
Sinto-me rebelde e inalcançável
como se me olhassem de soslaio
e eu me risse,num riso infinito,
de mim,de ti e deste mundo
de inevitáveis desencontros.

Helena S.Freitas



:: 11 de novembro, 2004 ::

NÃO SEI

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''Não sei...
Se a vida é curta ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
Se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta,
nem longa demais,
Mas que seja intensa, verdadeira, pura...
Enquanto durar.''

Cora Coralina



:: 08 de novembro, 2004 ::

CONSELHOS

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Volte atrás
o que já foi feito, desfaz
recomeça novamente
agora tenta diferente
cria coragem
claro que fácil não vai ser
mas só o fato de você querer
já pode lhe ajudar
então muda tudo de lugar
o que era importante
deixa viver mais distante
e aquilo que parecia indiferente
coloca na sua frente
inverte os valores
invalida as suas dores
joga fora os seus temores
busca alegrias
e deixa em sua vida
rolar as fantasias
mas nelas não se perca
saiba um freio colocar
para de novo não voltar
a esse mesmo lugar
onde fui lhe encontrar
aprenda finalmente
a fazer tudo consciente
daquele jeito que antigamente
você não soube fazer
é fácil aprender
basta você querer
no fim você vai ver
que a ordem dos fatores
alivia as dores
mas de uma coisa também terá certeza
lutar contra amores
é uma indelicadeza
que você não deve cometer com seu coração
isso não há de ser bom
enfim preciso me explicar
antes que todos esses conselhos você comece a anotar
preste atenção
eu estou no meu momento razão
mais tarde, quando em mim invadir a emoção
venho aqui e digo tudo diferente
falo pra você não voltar atrás
que já é tarde demais
digo pra deixar tudo como está
nada de recomeçar
insisto pra você continuar a tentar
com todas as coisas no mesmo lugar
é...assim é o meu coração
volúvel, eternamente equilibrando
entre a razão e emoção
e sempre se descompensando
porque tanto quanto você
por essa vida eu sigo amando.


Silvana Duboc



:: 04 de novembro, 2004 ::

Medo

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Tenho medo da escuridão
Dos ignorantes.
Tenho medo da altura
Dos pedantes.
Tenho medo da morte
Dos sonhos nas mentes.
Tenho medo da solidão
No meio de tanta gente...
Tenho medo da falta de espaço
Para o amor.
Tenho medo da dor
Que não posso sentir.
Tenho medo de falar se não sei ouvir.
Tenho medo de me curar
Do medo de não me indignar.
Sim!
Temo,
Tremo de medo
De me perder de mim!

Marise de Sousa



:: 01 de novembro, 2004 ::

"O bom e o ruim"

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É a gente que mede a intensidade e os valores da vida.
A alegria e a tristeza, o riso e a dor são tão comuns
que deveríamos aceitá-los como parte do quotidiano.
Mas não.
Aceitamos o bom e rejeitamos o ruim
como se este não tivesse importância,
como se não fosse através dele
que aprendemos a saborear as grandes alegrias.
Isso por que só chegamos ao êxtase da alegria
quando antes descermos ao fundo da melancolia,
da tristeza, da solidão.
Aquele que sabe sofrer uma grande dor
sabe apreciar uma grande alegria ao seu justo valor.
Porém, permancecer em um estado de espírito
ou em outro depende muito de cada um de nós.

Letícia Thompson