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:: 29 de outubro, 2004 ::

Canção Para Poder Viver

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Dou-lhe tudo do que como,
e ela me exige o último gomo.
Dou-lhe a roupa com que me visto
e ela me interroga: só isto?
Se ela se fere num espinho,
O meu sangue é que é o seu vinho.
Se ela tem sede eu é que choro,
no deserto, para lhe dar água:
E ela mata a sua sede,
já no copo de minha mágoa
Dou-lhe o meu canto louco;
faço um pouco mais
do que ser louco.
E ela me exige bis, "ao palco"!

Cassiano Ricardo



:: 26 de outubro, 2004 ::

Soneto da felicidade

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Não receies, amor, que nos divida
um dia a treva de outro mundo,
pois somos um só,
que não se faz em dois
nem pode a morte o que não pode a vida.

A dor não foi em nós terra caída
que de repente afoga mas depois
cede à força das águas.
Deus dispôs que ela nos encharcasse
indissolvida.

Molhamos nosso pão cotidiano
na vontade de Deus, aceita e clara,
que nos fazia para sempre num.

E de tal forma o próprio ser humano
mudou-se em nós que nada mais separa
o que era dois e hoje é apenas um.

ODYLO COSTA FILHO



:: 24 de outubro, 2004 ::

PARTILHA

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Fica com a cama.
Nela estão todos os meus perfumes
e também os meus melhores sorrisos.
(sob o travesseiro do lado direito talvez
ainda o som daquela gargalhada).
Fica com o lençóis das nossas madrugadas
os cartões de crédito e todos os poemas.
O cobertor azul eu deixo porque inda é inverno
(e eu estava acostumada a te aquecer).

As fotos também eu cedo, não as quero.
Não refletem os medos que tive,
são apenas momentos
(congelados feito os projetos que adiamos)
As chaves do apartamento
deixo sob o tapete.
O amor e os sonhos eu levo
junto com o meu olhar encantado.

A dor está na caixa pesada que ficou
no banheiro. Não se preocupe, é minha
prometo vir buscar no feriado
(eu levaria hoje, se pudesse
mas no carro não cabia o mundo inteiro).

Nalu Nogueira



:: 21 de outubro, 2004 ::

ASSIM EU VEJO A VIDA!

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"A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
Mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria.
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
Dos valores que vão desmoronando
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
Lutas e pedras
Como lições de vida
E delas me sirvo
Aprendi a viver"

Cora Coralina



:: 18 de outubro, 2004 ::

Recomeçar

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"Não importa onde você parou...
Em que momento da vida você cansou...
O que importa é que sempre é
possível e necessário "recomeçar".
Recomeçar é dar uma nova chance
a sí mesmo...
É renovar as esperanças da vida
e,o mais importante...
Acreditar em você de novo.
Sofreu muito neste período?
Foi aprendizado...
Chorou muito?
Foi limpeza da alma...
Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia...
Sentiu-se só por diversas vezes?
É porque fechaste a porta até para os anjos...
Acreditou em tudo que estava perdido?
Era o início de tua melhora...
Onde você quer chegar?
Ir alto?
Sonhe alto...
Queira o melhor do melhor ...
Se pensamos pequeno...
Coisas pequenas teremos...
Mas se desejarmos fortemente o melhor e
Principalmente lutarmos pelo melhor...
O melhor vai se instalar em nossa vida.
Porque sou do tamanho daquilo que vejo,
E não do tamanho da minha altura."

Carlos Drumond de Andrade



:: 16 de outubro, 2004 ::

TÃO SÁBIA A VIDA

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Tão sábia a vida,
nos dá os remédios
para que possamos curar nossas feridas.
Dá-nos as estradas
para encontrarmos a saída.
Esconde-nos os atalhos
que ajudariam a encurtar os caminhos
quando nossa fuga é desmedida.
Abre as portas que estavam trancadas
e tranca de vez as que já estão emperradas.
Tão sábia a vida,
ergue barreiras sob medida.
Altas demais quando não convém que as pulemos
frágeis e pequenas
quando o certo é que a derrubemos.
Tão sábia a vida
leva para longe o odor do desagradável
mas nunca sem antes nos deixar uma mensagem.
Transforma os sabores picantes
nos faz, quando necessário, seres ignorantes
e os mais inteligentes, se preciso, a todo instante.
Tão sábia a vida
não nos permite nunca sabermos de tudo
mas nos deixa passar por ela crendo nesse absurdo.

Silvana Duboc



:: 14 de outubro, 2004 ::

O CÃO

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Quando Deus criou a terra e o céu
Nada foi deixado ao léu
As árvores,as flores,os peixes no mar,
As aves e insetos,passando no ar

E quando finalmente terminou
Tudo era novo,belo e profundo
O Senhor então pensou
vou sozinho caminhar por esse mundo

Viajou muito e um nome dava a tudo que via
E por onde quer que caminhasse
Uma pequena criatura o seguia
Sempre a seus pés,mesmo quando a força já fugia

Finalmente sobre a terra,céu e mar,
Tudo tinha um nome,tudo estava no lugar
E a pequena criatura então falou
E a mim Senhor,de que maneira,vais chamar?

Fazendo um carinho no cansado animal,
Ternamente o Pai lhe disse:"Deixei-te pro final"
Mas não te entristeças comigo
Pois mais que um nome,te chamarei de Amigo !!

(autor desconhecido)




Gente!!! Ajudem a Suipa

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Gente!!!
Ajudem a Suipa continuar a salvar os bichos
Ela está muito precisada de ajuda
Obrigada.

"A GRANDEZA DE UMA NAÇÃO
PODE SER JULGADA
PELO MODO COMO SEUS ANIMAIS SÃO TRATADOS."

M. GANDHI



:: 11 de outubro, 2004 ::

Entrevista

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Telefonam-me do jornal:
-Fale de amor-
diz o repórter,
como se falasse
do assunto mais banal.
-Do amor? -Me rio
informal.
Mas ele insiste:
-Fale-me de amor-
sem saber, displicente,
que essa palavra
é vendaval.

-Falar de amor?-Pondero:
o que está querendo, afinal?
Quer me expor
no circo da paixão
como treinado animal?

-Fala...-insiste o outro
-Qualquer coisa.
Como se o amor fosse
“qualquer coisa”
prá se embrulhar no jornal.

-Fale bem, fale mal,
uma coisa rapidinha
-ele insiste,como se ignorasse
que as feridas de amor
não se lavam com água e sal.

Ele perguntando
eu resistindo,
porque em matéria de amor
e de entrevista
qualquer palavra mal dita
é fatal.

Affonso Romano de Sant’Anna



:: 08 de outubro, 2004 ::

O grande amor

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Haja o que houver
Há sempre um homem para uma mulher
E há de sempre haver
Para esquecer um falso amor
E uma vontade de morrer

Seja como for
Há de vencer o grande amor
Que há de ser no coração
Como um perdão pra quem chorou

Vinicius de Moraes



:: 06 de outubro, 2004 ::

A ARTE DE CALAR .

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“O silêncio é um momento vivificante de graça,
em que a criatura se cala , mas o espírito fala”

Calar sobre sua própria pessoa, é humildade.
Calar sobre os defeitos dos outros , é caridade
Calar quando a gente está sofrendo, é heroísmo
Calar diante do sofrimento alheio,. É covardia
Calar diante da injustiça, é fraqueza
Calar quando o outro está falando, é delicadeza
Calar quando o outro espera um palavra, é omissão
Calar quando não há necessidade de falar, é prudência
Calar quando Deus nos fala no coração, é silêncio
Calar, diante do mistério que não entendemos, ainda, é sabedoria.

(desconheço o autor)



:: 04 de outubro, 2004 ::

DEPOIS DO ABRAÇO

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Perco-me nesse abraço
longo, prolongado,
meio devasso, meio santo,
mundo pleno de ternura,
de surpresa, de encanto,
porta aberta do desejo.
Depois do abraço?
Quero um beijo.

Maria Lucia Victor