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:: 30 de setembro, 2004 ::
Aprendendo Com Vocês

São mundos diversos que conheço a cada instante
São vidas cobertas de experiências, de amor.
São caminhos que sigo em busca de respostas
São momentos que me preenchem se preciso for.
Carinhos eu recebo por mãos que no teclado são postas
E beijos carinhosos me são enviados com amor
São amigos que fiz...frente ao computador.
São lições que a vida quer que eu aprenda
Em contato com jovens professores.
Quero ser aluna alegre e serena
Do tipo dedicada e que muito aprenda,
Para saber repassar todo carinho,
Da maneira mais pura e sublime,
Para todos que precisem de meu amor
Inez Alvarez (Dati)
:: 27 de setembro, 2004 ::
Sussurro

Aquiete-se para ouvir o silêncio;
a clorofila escorre pela haste,
a sombra e o sol ecoam um contraste
de quentes e frios na linha divisória.
Tente escutar a história da brisa
quando passa empurrandoa bruma,
que,tola,embaça a púrpura da rosa.
Esta conta prosa de sacerdotisa.
Faça atenção ao momento de explosão
da metamorfose
que irrompe em grande dose
de véus e açúcares.
Sinta o cochilo dos nenúfares.
Se conseguir atingir
o ponto mais profundo da quietude,
vai poder ouvir o coração do colibrí.
Ele bate minúsculo num peito passarinho.
A Terra se mobiliza para entoar
uma sonata azul em homenagem
a esse músculo coberto de plumagem,
que tão pequenininho é tão capaz de amar.
Flora Figueiredo
:: 25 de setembro, 2004 ::
:: 22 de setembro, 2004 ::
PRIMAVERA

Anda no ar...
um cheiro de Primavera.
Cai uma chuva...
fria, leve, sobre a hera
que chora,
de alegria; já lavado
o manto,
com que o muro foi enfeitado.
Anda no ar...
cheiro de terra molhada.
É Natureza
verde, limpa, perfumada.
Anda no ar...
cheirinho de tempo ameno.
Cobrem-se as árvores
de flores e cresce o feno.
Anda no ar...
prenúncio de bom respigo.
Crescer de plantas,
verdinhas, maturar trigo.
Anda no ar...
um cheiro de Primavera.
Nuvens, borrifos
de chuva, mimam a hera.
Laura B.Martins
:: 20 de setembro, 2004 ::
SER MULHER

Ser mulher é lançar-se no mundo..
sem medos, ir ao fundo, gritar!!!
Mas sempre a voz esconder...
Ser mulher é saber ser o fruto mais doce..
para a boca mais amarga..
Ser mulher é ter desejo ao...
toque das mãos de seu homem..
ou no beijo suave ou demorado..
Ser mulher é ter um corpo ardente..
Á espera do corpo ausente pronto para
se entregar...
Ser mulher é não se resignar com a dor...
Ser mulher é não perder a calma quando..
o mundo parece desabar..
saber consolar quando a vida levar o ente querido...
Ser mulher é perdoar o erro sem perdão..
é fazer da vida uma canção..
para alguém cantar..
Ser mulher é saber dizer
"não" sem magoar...
É ter sonhos inacabados..
e abrir os caminhos do coração...
Ser mulher é colecionar papel de bala ..
É escrever o nome do seu amado numa...
janela embaçada..
Ser mulher é perguntar: como faz?
o que ela sabe fazer...
Ser mulher é não pensar nele a todo..
instante, mas senti-lo em todo lugar...
É saber usar o decote na certeza de provocar.
Ser mulher é saber que é tudo...
É fazer alguém especial feliz...
é amar,amar
Sem limites!
E ter a coragem de dizer
Amo ser esta mulher!
Efigênia Mallemont
:: 14 de setembro, 2004 ::
Viver como os pássaros

Não cuides desta vida, unicamente.
Que importa o que amanhã ireis vestir?
A vida é um bem apenas aparente
E o corpo humano um simples manto triste,
Que se desfaz em poeira lentamente...
Múcio Leão
:: 12 de setembro, 2004 ::
É preciso não esquecer nada

É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.
É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.
O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.
O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.
O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.
Cecília Meireles
:: 09 de setembro, 2004 ::
:: 07 de setembro, 2004 ::
Havia um menino

Essa poesia de Fernando Pessoa,vim conhecer
através de um dever da minha neta Marcela.
Achei muito legal.
Havia um menino,
que tinha chapéu
para pôr na cabeça
por causa do sol.
Em vez de um gatinho
tinha um caracol
dentro do chapéu:
fazia-lhe cócegas
no alto da cabeça
Por isso ele andava
depressa,depressa
para ver se chegava
à casa e tirava
o tal caracol
do chapéu, saindo
de lá e caindo
o tal caracol
Mas era,afinal,
impossível tal,
nem fazia mal
nem vê-lo,nem tê-lo:
porque o caracol
era do cabelo
Fernando Pessoa
:: 06 de setembro, 2004 ::
ILUSÕES DO AMANHÃ

Recebi por email e achei que devia ser mostrado
pela sensibilidade do rapaz
Por que eu vivo procurando
Um motivo de viver,
Se a vida às vezes parece de mim esquecer?
Procuro em todas, mas todas não são você
Eu quero apenas viver
Se não for para mim que seja pra você.
Mas às vezes você parece me ignorar
Sem nem ao menos me olhar
Me machucando pra valer.
Atrás dos meus sonhos eu vou correr
Eu vou me achar, pra mais tarde em você me perder.
Se a vida dá presente pra cada um
O meu, cadê?
Será que esse mundo tem jeito?
Esse mundo cheio de preconceito.
Quando estou só, preso na minha solidão
Juntando pedaços de mim que caíam ao chão
Juro que às vezes nem ao menos sei, quem sou.
Talvez eu seja um tolo,
Que acredita num sonho
Na procura de te esquecer
Eu fiz brotar a flor
Para carregar junto ao peito
E crer que esse mundo ainda tem jeito
E como príncipe sonhador
Sou um tolo que acredita ainda no amor.
PRÍNCIPE POETA (Alexandre Lemos - APAE)
Este poema foi escrito por um aluno da APAE, chamado, pela
sociedade, de excepcional.
Excepcional é a sua sensibilidade!
Ele tem 28 anos, com idade mental de 15 e peço que divulguem
para prestigiá-lo.
Se uma pessoa assim acredita tanto porque as que se dizem
normais não acreditam?
:: 02 de setembro, 2004 ::
Gaveta

santinho de primeira comunhão,
retrato amarelado de um amigo esquecido,
recorte de jornal amarfanhado:
um poema qualquer envelhecido,
Uma oração.
A receita de bolo,nunca feita,
O projeto de viagem, arquivado.
O botão desconjugado,
perdido.
O desenho de um vestido ultrapassado.
E lá no fundo,
uma imagem de saudade antiga
nos sorrisos coloridos de meus pais.
Um cachinho aloirado,
uma chupeta.
Gaveta: histórias de amor de nunca mais.
Flora Figueiredo
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