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:: 30 de junho, 2004 ::
Eu

eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora
quem está por fora
não segura
um olhar que demora
de dentro de meu centro
este poema me olha
Paulo Leminski
:: 26 de junho, 2004 ::
Quando entre nós só havia uma carta

Quando entre nós só havia
uma carta certa
a correspondência
completa
o trem os trilhos
a janela aberta
uma certa paisagem
sem pedras ou
sobressaltos
meu salto alto
em equilíbrio
o copo d’água
a espera do café
Ana Cristina Cesar(1952-1983)
:: 24 de junho, 2004 ::
Quarto Poema

O que é mais longo do que um caminho?
O que chora no escuro além da fonte?
O que vai, não volta e nunca é longe?
O que machuca essa boca é o amargo espinho?
Por que tem a saudade a cor do plátano?
Era vidro. Sabias quando o deste?
(Por que flutua assim sem que se quebre?)
Era pouco. Sabias quando o tinhas?
(Por que flutua assim sem que se acabe?)
E as promessas? e os sonhos? e as carícias?
Estava escrito nos astros o encontro?
Não nos dera o poema um dia apenas?
Por que não pode o sonho contra o tempo?
Por que não pode o tempo contra o sono?
Elizabeth Hazin - O ARQUEIRO E A LUA, FUNDARPE, 1994 -
:: 23 de junho, 2004 ::
Passando dos Cinquenta

Meu pescoço se enruga.
Imagino que seja
de mover a cabeça
para observar a vida.
E se enrugam as mãos
cansadas dos seus gestos.
E as pálpebras
apertadas no sol.
Só da boca não sei
o sentido das rugas
se dos sorrisos tantos
ou de trancar os dentes
sobre caladas coisas.
(Marina Colassanti )
:: 22 de junho, 2004 ::
“Eu sou a tangência
“Eu sou a tangência de duas formas opostas e justapostas
Eu sou o que não existe entre o que existe.
Eu sou o tudo sem ser coisa alguma.”
Trecho do poema Eu (1933)
Ismael Nery
:: 20 de junho, 2004 ::
Vocação

Certos dias
embora eu me desfaça em pranto,
amanhece,
e os pássaros insistem em cantar
embora queira, insanamente, desaparecer,
a luz do sol insiste em penetrar
pela fresta do olho.
Então acordo , tomo um café,
acendo um cigarro
e sorrio...
Eliane Stoducto
:: 18 de junho, 2004 ::
Recomeçar
Não importa onde você parou,
em que momento da vida você cansou,
o que importa é que sempre é possível
e necessário "Recomeçar".
Recomeçar é dar uma nova
chance a si mesmo.
É renovar as esperanças na vida
e o mais importante:
acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?
Foi aprendizado.
Chorou muito?
Foi limpeza da alma.
Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia.
Sentiu-se só por diversas vezes?
É por que fechaste a porta até para os outros.
Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da tua melhora.
Pois é !
Agora é hora de iniciar,
de pensar na luz,
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Que tal um novo emprego?
Uma nova profissão?
Um corte de cabelo arrojado, diferente?
Um novo curso,
ou aquele velho desejo de apender a pintar,
desenhar,
dominar o computador,
ou qualquer outra coisa?
Olha quanto desafio.
Quanta coisa nova nesse mundão
de meu Deus te esperando.
Tá se sentindo sozínho ?
Besteira !
Tem tanta gente que você afastou
com o seu "período de isolamento",
tem tanta gente esperando apenas um
sorriso teu para "chegar" perto de você.
Quando nos trancamos na tristeza nem
nós mesmos nos suportamos.
Ficamos horríveis.
O mal humor vai comendo nosso fígado,
até a boca ficar amarga.
Recomeçar !
Hoje é um bom dia para começar
novos desafios.
Onde você quer chegar?
Ir alto.
Sonhe alto,
queira o melhor do melhor,
queira coisas boas para a vida.
pensamentos assim trazem para nós
aquilo que desejamos.
Se pensarmos pequeno,
coisas pequenas teremos.
Já se desejarmos fortemente o melhor
e principalmente lutarmos pelo melhor,
o melhor vai se instalar na nossa vida.
E é hoje o dia da Faxina Mental.
Joga fora tudo que te prende ao passado,
ao mundinho de coisas tristes,
fotos,
peças de roupa,
papel de bala,
ingressos de cinema,
bilhetes de viagens,
e toda aquela tranqueira que guardamos
quando nos julgamos apaixonados.
Jogue tudo fora.
Mas, principalmente,
esvazie seu coração.
Fique pronto para a vida,
para um novo amor.
Lembre-se somos apaixonáveis,
somos sempre capazes de amar
muitas e muitas vezes.
Afinal de contas,
nós somos o "Amor".
"Porque sou do tamanho daquilo que vejo,
e não do tamanho da minha altura."
Carlos Drumond de Andrade
:: 17 de junho, 2004 ::
Os pés

Meus pés no chão
Como custaram a reconhecer o chão!
Por fim os dedos dessedentaram-se no lodo macio,
agarraram-se ao chão...
Ah,que vontade de criar raizes!
Mário Quintana
:: 14 de junho, 2004 ::
Che Guevara

Ernesto Guevara de la Serna, ou "Che" Guevara para os amigos, nasceu no Rosario, Argentina, a 14-06-1928.
Filho mais velho de Ernesto Guevara Lynch e de Celia de la Serna, herdou as fortes influências liberalistas da sua família,
principalmente do pai (irlandês). Com 24 anos, e juntamente com Alberto Granados percorrem a América Central,
primeiro de motociclo, no fim à boleia. Durante este tempo, Che teve contacto directo com a opressão
e a exploração desumana que os tiranos militares impunham aos mais desfavorecidos.
Surgiu então a "alcunha" com que é conhecido ainda hoje: Che, que significa literalmente "Ei, tu".
Quando regressou (em 1953), Che acabou a formatura em Medicina pela Universidade de Buenos Aires,
e retorna para junto de Granados, que havia ficado no Peru. Aí conhece Ricardo Rojo.
Rojo era advogado na Argentina, e havia sido expulso por Juan Peron (marido de Evita Peron).
Este convence-o ir para o Guatemala para participar na revolução social que se estava a desenvolver.
Com o fracasso da Revolução, Che chega a estar em perigo de vida.
Che consegue escapar ileso graças ao asilo concedido pela Embaixada Argentina,
que lhe providenciará um salvo-conduto para o México.
É no México, que casará com Hilda Gadea Costa, que conhecera na Guatemala.
É aqui, que em fins de 1955, conhecerá Fidel Castro, através do irmão deste último, Raul Castro.
Fidel encontrava-se exilado, após nesse mesmo ano ele e o seu grupo revolucionário terem sido libertados.
Este grupo liderado por Fidel atacara o quartel de Moncada, de Santiago de Cuba, em 26/07/1953,
com a intenção de fazer frente ao regime ditatorial de Batista, e impor um regime democrático parlamentar.
Ficaram-se pela intenção, uma vez que acabaram detidos.
Che torna-se o médico das tropas de Fidel, e acaba por subir a Major.
É agora o braço direito e principal conselheiro de Fidel. Só assim se compreende que Che aceite formar
e dirigir este grupo revolucionário de exilados cubanos, que em 02/12/1956 desembarca em Cuba,
indo refugiar-se na Sierra Maestra. A sua intenção era desenvolver a luta de guerrilha* contra o regime de Batista.
Ao cabo de dois anos o governo acaba por cair, devido à intervenção decisiva de Che e o seu grupo de homens,
ao capturarem Santa Clara.
Fidel em Fevereiro de 1959 assume a presidência do governo revolucionário.
Fidel Castro concede a Che a naturalidade cubana, passando o seu nome a ser como o conhecemos melhor: Ernesto Che Guevara.
Che é nomeado director do Instituto Nacional de Reforma Agrária (INRA), e do Banco Nacional de Cuba.
Acumulou ainda estes cargos com o do Ministro da Indústria. Em todos eles impôs a sua ideologia comunista.
Che torna-se num prestigiado orador, e as suas palavras são escutadas atentamente pelas audiências.
Conta-se que Che era um grande apreciador de charutos. Muitos avisavam-no de que fumava demais.
Um dia responde que a partir de então passaria a fumar só um charuto por dia.
Os amigos não acreditavam no que ouviam, e desafiaram-no a que cumprisse o que tinha dito.
Bem dito, bem feito, no dia seguinte Guevara apresenta-se aos amigos com um único charuto de proporções desmesuradas.
Ficaram boquiabertos. Ele realmente cumprira o que disse. Que fumava apenas um por dia, não disse foi o tamanho.
No campo profissional nem tudo lhe corria de feição: um ambicioso programa de industrialização teve que ser posto
de parte e reformulado. A aproximação de Cuba às potências comunistas era cada vez maior,
e por fim em 1965, estabelece-se o partido único: o Partido Comunista de Cuba.
Em Abril do mesmo ano, Che afasta-se, escrevendo uma carta a Fidel onde renuncia formalmente à posição no Partido,
ao cargo de Ministro, ao grau de Major, e à cidadania cubana.
Dedica novamente os seus "modestos esforços" à actividade guerrilheira (alguma apoiada por Cuba).
Primeiro no Congo, e em 1966 na Bolívia, onde viria a ser ferido em combate.
É capturado (a 8/10/1967) por uma unidade do Exercito Boliviano, dirigida pela CIA.
Foi executado a sangue frio, por ordem do Presidente dos EUA, Lyndon B. Johnson.
Em Cuba continua a ser lembrado pela enorme foto patente na fachada do Ministério do Interior, tendo por epígrafe:
Hasta la vitória, siempre !
:: 13 de junho, 2004 ::
Santo Antonio é doutor

Santo Antonio é doutor da Igreja. Nasceu na cidade de Lisboa, Portugal, em 1195. Seu nome de batismo era Fernando de Bulhões y Taveira de Azevedo. Frade franciscano, contemporâneo de São Francisco de Assis. Foi ordenado sacerdote em 1220. No mesmo ano ingressou na Ordem Franciscana, partindo logo depois para Marrocos. Acometido por uma enfermidade durante a viagem viu frustrados os seus planos de missionário no meio dos não-crentes. Foi cozinheiro e levou vida completamente obscura. Percorreu a Europa combatendo os erros doutrinários de sua época. Em 1229 partiu para Pádua, para o convento de Arcella. Morreu em 13 de junho de 1231, aos 36 anos.
:: 11 de junho, 2004 ::
ESTRELA Vi uma estrela

ESTRELA
Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.
Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.
Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alta luzia?
E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.
Manuel Bandeira
:: 06 de junho, 2004 ::
O tempo nos parques

O tempo nos parques gera o silêncio do piar dos pássaros
Do passar dos passos, da cor que se move ao longe.
É alto, antigo, presciente o tempo nos parques
É incorruptível; o prenúncio de uma aragem
A agonia de uma folha, o abrir-se de uma flor
Deixa um frêmito no espaço do tempo nos parques.
Vinicius de Moraes
1913-1980, autor de O Tempo nos Parques
:: 04 de junho, 2004 ::
Felicidade

Para ser feliz,
há de se ter pela vida
um ardor insuportável.
Possuir a força de Hércules
e a coragem de um Titã.
Chorar pouco,
lamentar-se? nunca.
Há que se voar como um Falcão
para escalar o céu,
mas caminhar em solo firme.
Para ser feliz, há que se cultivar o talento,
agigantar-se perante o medo,
aprender com as derrotas
e apoderar-se do destino.
Para ser feliz,
há que se comprometer consigo,
garimpar boas ações,
penitenciar-se menos,
e, vez por outra,
permitir-se subversões.
Para ser feliz
há que se amar desenfreadamente,
e não negligenciar amor ao próximo.
Há que se ter a bravura de um leão
e a candura das gaivotas.
Eliane Raise
:: 02 de junho, 2004 ::
Dos medos nascem as

Dos medos nascem as coragens
e das dúvidas as certezas.
Os sonhos anunciam outra realidade possível
e os delírios, outra razão.
Afinal de contas,
somos o que fazemos para mudar o que somos.
Eduardo Galeano
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